é uma cidade. uma cidade junto ao mar... como aqueles olhos azuis muito azuis. de planta radial, foi crescendo sempre naquele ritmo rigorosamente desenhado. não há espaço para subúrbios, tudo se sistematiza na malha original e são claras as ruas que nos transportam da periferia ao centro. o centro é um coração muito grande, muito puro, com um grande espaço verde que oxigeniza toda a cidade, que se estende por cada avenida. ouvem-se gargalhadas contagiantes difíceis de conter. num banco daquele jardim havia um velho a enrolar cigarros ao sabor do sol que ia caindo sobre o mar... uma cidade a poente, pois claro! na parte norte os prédios eram todos a preto e branco e distinguiam-se pelos números impares nas portas brancas e pelos números pares nas portas pretas. chamavam-lhe o bairro das respostas e tinha vistas privilegiadas para aquele imenso mar azul... quando o sol nascia, os primeiros habitantes de Dacegido a receber sol eram os que moravam no terceiro anel. junto às montanhas generosas, viviam em casas com poucas paredes. era o sol, o primeiro a entrar nas suas casas e atravessava-as até ao mar... brilhava por lá. os habitantes desse terceiro anel eram um bocado preguiçosos e apesar do sol entrar na mesma, eles deixavam-se ficar na cama e os clássicos cinco minutos demoravam sempre mais outros tantos, às vezes demasiados. a sul ficava a principal porta da cidade. era uma porta feliz que ligava Dacegido a todas as outras cidades do país. por vias rápidas porque era uma cidade desenvolvida e tinha condutores aceleras! era por uma grande avenida, num perfeito segmento de recta que se seguia até encontrar o parque, aquele grande parque onde o velho enrolava cigarros. nessa avenida haviam árvores que davam uma bela sombra enquanto caminhava com vontade de chegar ao centro. quase jurava, mesmo quase, que dali da porta se via o coração da cidade.
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tive curiosidade de virar à direita e perdi-me daquela rota que me diziam para percorrer no guia turístico da cidade. sim, Dacegido era uma cidade com uma estrutura clara, aparentemente. nessa rua que não estava registada no guia encontrei uma menina que chorava. perguntei-lhe o que tinha e se podia ajudar e ela enroscou-se a mim e ali, naquela rua de casas cinzentas, ficámos durante o resto daquela tarde. lá longe do coração da cidade. quando parou de chorar, a menina perguntou o que fazia ali, de onde era, o que procurava, quanto tempo ia ficar e a que horas tinha de ir embora. atordoado. sim, atordoado com perguntas, convidei-a para um passeio, convidei-a para me mostrar Dacegido que não vem no guia. fomos. passeamos por muitas ruas, ruínhas e algumas avenidas. alguns bairros também. num deles parámos e mostrou-me, entre duas casas velhas uma árvore. dizia ser a mais velha árvore da cidade, a árvore génese. contou-me coisas dessa árvore, sorri e seguimos. depois de subir um grande sucalco ficámos de frente para aquele mar azul. as cores de Dacegido (sim, era uma cidade colorida, muito colorida, com excepção para o bairro das respostas) eram as cores mais bonitas que eu ja tinha visto numa cidade... nunca tinha visto tanta luz numa cidade ao cair da noite.
1 comentário:
parece ter magia, mas encontro poucas pessoas...para ser a minha cidade voces tem de tar la..todos!e seria a nossa cidade:)
de qualquer maneira ja temos o nosso mundo, akele k poucos têm...somos uns privilegiados por nos termos**eu sou uma privilegiada por vos ter!!
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